1929

Em meio aos pinheiros, a jovem poetisa Ada Macaggi aparece declamando versos em uma fotografia publicada pela revista Illustração Paranaense em 1929. A imagem registra a escritora e parte do ambiente cultural de Curitiba naquele período, marcado pela circulação de artistas, escritores e intelectuais e pela valorização de símbolos associados à identidade paranaense.
Nascida em Paranaguá, em 1906, Ada mudou-se para Curitiba para continuar os estudos e formou-se professora pela Escola Normal em 1924. Sua relação com as artes começou ainda na infância. Aos sete anos, já participava de apresentações de piano e, aos 13, escrevia poemas publicados no jornal Gazeta do Povo. Também se dedicou ao canto, ao violão e à declamação, atividades que a levaram a participar de festivais e recitais em Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro e outras cidades.
Sua estreia literária ocorreu com “Vozes Efêmeras”, publicado em 1927. Em 1933, lançou “Taça”, livro de contos que recebeu menção honrosa da Academia Brasileira de Letras. Em 1941, publicou “Ímpeto”, volume de poemas editado pela Livraria José Olympio e ilustrado por Anita Malfatti. A obra reuniu poemas que Ada já havia publicado em suplementos literários e revistas e recebeu atenção da crítica literária da época.
A fotografia que vemos foi publicada pela Illustração Paranaense, revista criada em 1927 pelo fotógrafo e editor João Baptista Groff. A publicação dedicava espaço às artes, à literatura e à produção intelectual do Paraná e se tornou um dos veículos de divulgação do movimento paranista.
O cenário escolhido para a fotografia está diretamente relacionado a esse contexto. O pinheiro-do-paraná ocupava lugar central no imaginário paranista, movimento que ganhou força nas primeiras décadas do século XX e buscava construir uma identidade cultural própria para o estado. A árvore aparecia em pinturas, esculturas, projetos arquitetônicos, poemas e outras manifestações artísticas, transformando-se em um dos principais símbolos visuais do Paraná.
Ada continuou produzindo ao longo das décadas seguintes, colaborando com jornais e revistas do Paraná e do Rio de Janeiro. Em 1947, publicou “Arco-Íris”, “Êxtase” e “Sangue Rico”, além de receber reconhecimento por sua produção literária. Morreu naquele mesmo ano, no Rio de Janeiro, aos 41 anos.
Acervo: Curitiba Histórica / Revista Illustração Paranaense / Diretoria do Patrimônio Cultural da Fundação Cultural de Curitiba / Livro: “Imagens da Evolução de Curitiba”, de Otávio Duarte Guinski
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