Passeio Público - 1886

1886


Quando esta fotografia foi feita, o Passeio Público tinha acabado de surgir na paisagem de Curitiba. Inaugurado em 2 de maio de 1886, durante a administração de Alfredo d’Escragnolle Taunay na presidência da Província do Paraná, o parque foi construído sobre uma área alagadiça às margens do rio Belém. A obra tinha uma dupla finalidade: melhorar as condições de salubridade da região e criar um espaço público de lazer e convivência.

A criação do parque também está diretamente ligada ao empresário Francisco Fasce Fontana. Proprietário da chamada Mansão das Rosas, Fontana já havia transformado uma área pantanosa de sua propriedade em um jardim com canais, ilhas, hortas e pomares. A experiência chamou a atenção de Taunay durante uma visita à chácara e contribuiu para que surgisse a ideia de transformar o antigo banhado do rio Belém em um parque público. Fontana ofereceu seus serviços para a execução das obras e, após a inauguração, tornou-se o primeiro diretor do Passeio Público.

A fotografia registra esse espaço nos primeiros tempos de sua existência. Ainda é possível perceber os canais que atravessavam o parque, as pontes, as áreas arborizadas e as construções que cercavam o Passeio. Ao fundo, a paisagem urbana de Curitiba se estendia por uma área que ainda estava longe da configuração que a cidade teria nas décadas seguintes.

O parque foi pensado para ser um lugar de passeio, mas também incorporou diferentes formas de lazer. Desde os primeiros anos, havia caminhos, pontes, canais navegáveis e até uma “máquina de cavalinhos”, como era chamado o antigo carrossel. Em 1887, o Passeio Público também recebeu as primeiras lâmpadas elétricas de Curitiba, substituindo a iluminação anterior feita por lampiões a gasolina.

A imagem faz parte da coleção da professora Júlia Wanderley e chama atenção também pelas anotações manuscritas que ocupam parte do postal. 

Ao longo de quase 140 anos, o Passeio Público mudou muitas vezes. Foi Jardim Botânico, abrigou o primeiro zoológico da cidade, recebeu novas estruturas e perdeu outras. Mas continua ocupando o mesmo lugar na paisagem de Curitiba, como um dos espaços públicos mais antigos da cidade.

Acervo: Curitiba Histórica / Diretoria do Patrimônio Cultural da Fundação Cultural de Curitiba / Livro: “Imagens da Evolução de Curitiba”, de Otávio Duarte Guinski

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