Pequenos Jornaleiros na praça Tiradentes - Década de 1950

1950


Nesta fotografia, provavelmente registrada na década de 1950, dois pequenos jornaleiros aparecem na praça Tiradentes, em Curitiba, com exemplares do jornal O Dia nas mãos. A cena registra uma atividade comum entre crianças e adolescentes que trabalhavam nas ruas da cidade, vendendo jornais para complementar a renda.

Na capital paranaense, parte desses jovens esteve ligada à Casa do Pequeno Jornaleiro (CAPEJO), instituição assistencial fundada em 1943 por iniciativa de D. Anita Ribas, esposa do interventor Manoel Ribas, e que permaneceu em funcionamento até 2002. A casa acolhia meninos e adolescentes entre 10 e 18 anos que trabalhavam como vendedores de jornais, oferecendo ensino primário, assistência médica e orientação religiosa, além de uma rotina marcada pela disciplina e pela moralização pelo trabalho.

Instalada na rua Saldanha Marinho, a CAPEJO chegou a abrigar cerca de 100 garotos. Uma de suas particularidades era a destinação de parte do dinheiro obtido com a venda dos jornais aos próprios jovens, que era acumulado em uma poupança individual e poderia ser retirado quando atingissem a maioridade.

Embora a instituição fosse apresentada pela imprensa e pelo discurso oficial como um espaço destinado a órfãos e meninos desvalidos, a realidade era mais diversa. Muitos dos internos tinham família e ingressavam na instituição diante de dificuldades financeiras ou em busca de instrução.

Conforme dito, a rotina da instituição era marcada pela disciplina e pelo controle dos jovens. No entanto, de acordo com o trabalho da historiadora Nicolle Taner de Lima, os prontuários da Casa registram pedidos de transferência, episódios de fuga e situações relacionadas ao dinheiro obtido com a venda dos jornais, indicando que os meninos também encontravam maneiras de lidar com as regras e com o cotidiano da CAPEJO.

Fontes: Acervo Curitiba Histórica / Acervo Cid Destefani / Pinterest - Vald Assunção / Tese: "Os internos da Casa do Pequeno Jornaleiro : memórias sensíveis sobre infância e institucionalização em Curitiba", de Nicolle Taner de Lima

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