1905

Em 1905, a Repartição Geral dos Telégrafos funcionava em um dos edifícios mais marcantes da paisagem do centro de Curitiba. Localizado na esquina da rua XV de Novembro com a rua Monsenhor Celso, o imóvel se destacava pela fachada de inspiração neogótica, com janelas e portas em arcos ogivais, balcões, grades de ferro e uma ornamentação incomum entre as construções da cidade naquele período.
A história do edifício começou no final do século XIX, quando o comerciante português Manoel da Costa Cunha encomendou ao arquiteto italiano Ernesto Guaita o projeto de uma construção destinada ao comércio e à residência de sua família. A obra, concluída em 1893, foi executada pelo mestre de cantaria alemão Henrique Henning, também relacionado à construção da Catedral de Curitiba. Com três pavimentos, tornou-se o primeiro edifício dessa altura na rua XV de Novembro e logo passou a ser uma referência na paisagem urbana da cidade.
No térreo funcionava a loja de roupas de Manoel da Costa Cunha, conhecida como “o Cunha das roupas feitas”. Os pavimentos superiores eram ocupados pelo comerciante e sua família. O edifício também testemunhou episódios ligados à Revolução Federalista, em 1894. Durante o conflito, Manoel Cunha foi obrigado a entregar grande parte das mercadorias de sua loja às tropas que estavam em Curitiba. As perdas provocaram dificuldades financeiras e contribuíram para que o comerciante colocasse posteriormente o imóvel à venda. A propriedade foi adquirida pelo ervateiro Manoel de Macedo e, anos depois, seus herdeiros a venderam ao Governo do Estado.
É nesse percurso que o edifício passou a se relacionar com a história do sistema bancário paranaense. Em 1905, quando esta fotografia foi produzida, funcionava ali a Repartição Geral dos Telégrafos. Mais de duas décadas depois, em 1928, o imóvel passou a abrigar o Banco do Estado do Paraná, o Banestado, que começou suas atividades em novembro daquele ano. Ao longo da história, o edifício também chegou a sediar a Agência de Rendas da Secretaria de Estado da Fazenda, mas, a partir de 1973, o imóvel voltou a funcionar como sede do Banestado e permaneceu ligado ao banco até o processo de privatização da instituição, nos anos 2000, quando foi adquirido pelo Itaú.
Fontes: Acervo Curitiba Histórica / Arquitetando Mundo Afora / Livro: “Imagens da Evolução de Curitiba”, de Otávio Duarte Guinski
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